UROLOGIA

DOENÇAS  I  UROLOGIA RECONSTRUCTIVA E PROTÉSICA

COMPLICAÇÕES DE TRATAMENTOS DO TUMOR DA PRÓSTATA

INFORMAÇÕES GERAIS

As opções terapêuticas do tumor da próstata incluem:prostatectomia radical aberta (retropúbica e perienal), laparoscópica e robótica, assim comoradioterapia externa, braquiterapia e ultrassons focalizados de alta intensidade (do inglês, HIFU). As complicações destes tratamentos podem ser as seguintes:

Incontinência urinária (IU)

A incontinência urinária masculina está geralmente associada a cirurgia prostática ou a radioterapia. Na sua maioria, a gravidade da IU associada a prostatectomia radical reduz-se com o tempo, podendo, inclusive, resolver por completo em alguns casos. Em casos mais graves, inclusive após radioterapia, pode levar a perda contínua de urina, situações estas em que está indicada a implantação de esfíncter urinário artificial ou, eventualmente, um “sling” masculino.

 

Contractura/estenose da anastomose vesico-uretral e estenose uretral

Outra possível complicação é a estenose (estreitamento) do canal uretral, podendo este estreitamento iniciar-se na bexiga. Estas complicações provocam sintomas de obstrução (fluxo urinário fraco, fino e lento, fluxo intermitente, esforço para urinar e sensação de esvaziamento incompleto da bexiga).

 

Fístula recto-uretral

Complicação mais rara, mas mais devastadora, especialmente após radioterapia, a fístula recto-uretral consiste numa comunicação anormal entre o recto e o aparelho urinário inferior com passagem de fezes pela uretra e de urina pelo canal ano-rectal. O sinal quase patognomónico é a pneumatúria, isto é, passagem de ar/gases pela uretra juntamente com a micção. Outro problema provocado por este tipo de fístula é a infecção urinária recorrente.

 

ABORDAGEM TERAPÊUTICA

As complicações dos tratamentos do tumor da próstata, exceptuando estenoses uretrais distais relacionadas com algaliação ou instrumentação, constituem uma área inteiramente diferente e mais complexa. Em alguns casos, é possível restabelecer micção normal. Noutros casos, a reconstrução uretral não é uma opção razoável ou a mais indicada. Em casos de contractuta/esclerose do colo vesical (anastomose vesico-uretral) recorrente, ou perante outro problema recorrente e muito complexo após tratamento por tumor da próstata, o doente não deve acalentar a ilusão de que ir a um “centro de excelência”, ou consultar um urologista famoso e muito experiente, irá resolver o seu problema através de uma cirurgia.

A nossa abordagem consiste em efectuar primeiro uma valiação completa da uretra, de forma a determinar a localização e extensão exactas do problema, avaliar a função do esfíncter urinário responsável pela continência urinária, assim como avaliar a capacidade de armazenamento e esvaziamento vesical durante a micção. Por vezes, os doentes são tratados sem qualquer estudo imagiológico prévio. Por isso, é muitas vezes difícil sugerir o que pode (ou não pode) ser feito antes de se estudar a uretra. Por vezes, se fôr possível uma reconstrução uretral para restabelecimento da micção normal, então tenta-se equacionar uma alternativa, que seja melhor que a presente situação. Estas situações podem conduzir a descompensação vesical, uretero-hidronefrose e falência renal. O tratamento destas complicações estenóticas pode iniciar-se por dilatação, incisão da anastomose ou de qualquer outra área estenótica. Alguns urologistas efectuam instilação intravesical de Mitomicina-C para reduzir a taxa de recorrência da estenose. Por vezes, é possível cirurgia aberta abdomino-perineal, ou perineal apenas, para excisar a área de estenose e reconstruir a uretra, restabelecendo a continuidade do canal uretral. Esta cirurgia é um desafio extremamente exigente e não desprovida de riscos!