UROLOGIA

DOENÇAS  I  UROLOGIA RECONSTRUCTIVA E PROTÉSICA

TRATAMENTO CIRÚRGICO CONSERVADOR DO TUMOR DO PÉNIS E RECONSTRUÇÃO PÓS-AMPUTAÇÃO

     O tumor do pénis é uma doença rara, estimando-se uma incidência de ~1% de todos os tumores malignos no homem. A deficiente informação acerca da doença na população geral e alguns médicos leva frequentemente a prolongados atrasos no seu diagnóstico e tratamento, podendo resultar em progressão da doença, a qual, por sua vez, poderá requerer cirurgia alargada e emasculante. O tumor do pénis é uma doença agressiva associada a elevada morbilidade psicossexual resultante dos seus tratamentos clássicos, muitas vezes mutilantes.

     Recentemente, o tratamento clínico do carcinoma do pénis sofreu uma mudança de paradigma com a adopção de estratégias cirúrgicas alternativas, menos invasivas para o tumor primário. Estas abordagens preservadoras de órgão (pénis) mantêm aspectos da função peniana e têm como objective melhorar a qualidade de vida, simultâneamente reduzindo as alterações penianas e a disfunção eréctil provocadas pelas abordagens clássicas sem, no entanto, comprometer o controlo oncológico. As opções inovadoras incluem excisão local alargada, glandectomia e repavimentação (resurfacing) da glande, com reconstrução estética da neoglande, estando estas estratégias incluídas no armamentário de procedimentos disponível para tratar o tumor do pénis. As técnicas cirúrgicas reconstrutivas incluem, actualmente, encerramento primário, encerramento com utilização de retalhos e enxertos cutâneos, alongamento e/ou aumento peniano e neofaloplastia. Todas estas opções podem ser prontamente aplicadas em doentes bem informados dos riscos, com a existência de protocolos rigorosos e validados, de modo a permitir uma intervenção rápida na eventualidade de recorrência da doença.

     Em certos países industrializados, nomeadamente no Reino Unido e países escandinavos, o desenvolvimento de centros super-especializados, supra-regionais, de referência, levou à concetração de recursos humanos, técnicos e de excelência, o que gerou melhorias e avanços consideráveis na compreensão e tratamento desta doença pouco frequente ao longo da última década.

     Não existe evidência suficientemente sólida para sugerir diferenças importantes relativamente aos resultados das diferentes estratégias poupadoras de órgão, as quais parecem, no geral, demonstrar bons resultados oncológicos. Embora a cirurgia conservadora possa melhorar a qualidade de vida, a taxa de recidiva local é mais provável que a da cirurgia radical (5-12% vs. 5%).

     A repavimentação (resurfacing) da glande é um tratamento primário seguro e eficaz para o carcinoma in situ (CIS). Mantém a funcionalidade peniana sem compromoter o seu controlo oncológico. Proporciona um diagnóstico histopatológico. Possui baixo risco de recidiva e progressão e não agrava o prognóstico, nem os resultados de uma posterior cirurgia, se esta vier a ser necessária.