UROLOGIA

DOENÇAS  I  UROLOGIA RECONSTRUCTIVA E PROTÉSICA

OUTRAS DOENÇAS

(ex: linfedema escrotal, hidrosadenite supurativa, déficit de pele peniana)

 

Linfedema escrotal

     Linfedema consiste na acumulação de linfa, que pode ocorrer em qualquer parte do corpo. O linfedema pode ser primário, apresentando-se sob forma clínica ou subclínica desde o nascimento numa proporção de 1:6.000 crianças, ou secundário, como consequência de uma cirurgia de extirpação de gânglios linfáticos (linfadenectomia) ou radioterapia de gânglios linfáticos, causando obstrução da drenagem linfática. O linfedema deve-se a uma dificuldade de drenagem, ou obstrução de causa externa, dos canais e gânglios linfáticos de uma determinada região do corpo, neste caso da região escrotal. O linfedema secundário pode estar associado a tumores da próstata, pénis, etc., ou ser consequência de esvaziamentos linfáticos relacionados com estes tumores. Apesar do diagnóstico pode assentar em diferentes exames de imagem, como a TC, RM e linfografia, o exame que maior consenso diagnóstico reúne é a linfografia isotópica, ou gamagrafia do sistema linfático. O tratamento deve iniciar-se por métodos conservadores, tentando descongestionar ou eliminar o edema e seguidamente normalizar a função do sitsema linfático, tentando gerar canais “neolinfáticos”: 1) drenagem linfática manual, que ajuda a reduzir o volume do membro ou região afectada, e favorece a criação de vias de drenagem alternativas; 2) cuidados com a pele, procurando manter a pele livre de infecções que agraven o linfedema, dado que el tecido afectado tem menos defesas; 3) fisioterapia para melhorar a circulação linfática; 4) ligaduras compressivas, que permitan manteer o efeito de drenagem linfática manual e favorecen a reabsorção do edema; e 5) em casos refractários e avançados,

cirurgia plástica e reconstrutiva.

     O linfedema escrotal, também conhecido como elefantíase escrotal, é um aumento maciço do escroto por acumulação de linfa nos seus tecidos. Em África e outras regiões desfavorecidas do planeta, esta doença é provocada por uma infecção parasitária, denominada filaríase linfática, transmitida por mosquitos.

 

Hidrosadenite supurativa

     A hidrosadenite supurativa é uma doença benigna, bacteriana, que afecta as glândulas sudoríparas, e que pode incapacitar o doente, do ponto de vista familiar, social e profissional. As suas principais localizações são axilar, inframamária, retroauricular, inguinal e perineal. A doença de localização perineal e proctológica caracteriza-se por celulite e formação de abscessos, que evoluem com fibrose, fístulização e secreção purulenta. O diagnóstico é essencialmente clínico, necessitando por vezes de biópsia, apenas para diagnóstico diferencial. O tratamento clínico na região anal, perineal e sagrada é apenas paliativo, não havendo cura definitiva. O tratamento da hidrosadenite supurativa de localização proctológica exige uma abordagem multidisciplinar – proctologista, cirurgião plástico e urologista reconstrutivo - com o objetivo de se obter resultados funcionais e estéticos satisfactórios, reduzindo simultaneamente a taxa de complicações e recidiva. O tratamento cirúrgico inicial consiste na ressecção em bloco das lesões, seguida de fistulotomias, um pouco semelhante à terapêutica da grangrena de Fournie.   Actualmente, os procedimentos plásticos – uso de enxertos e retalhos – têm indicação precisa após a ressecção em bloco das lesões, com o objetivo de promover uma cicatrização mais rápida e uniforme.

    

Déficit de pele peniana e outras complicações da circuncisão

    A circuncisão, quer por motivos culturais, religiosos ou puramente médicos, é um procedimento rotineiro, talvez o procedimento cirúrgico mais antigo na história da humanidade, consiste na remoção do prepúcio, ou pele que cobre a glande. Os defensores da circuncisão afirmam que existe um valor prático e importante na circuncisão masculina, quer como acto médico, quer como medida de higiene, dado que impede a acumulação de uma secreção genital chamada esmegma, no espaço entre a glande e o prepúcio que a recobre. Se não for removido, o esmegma torna-se fétido e meio de cultura para bactérias, causando forte irritação e infeções. É realizada em certos casos de fimose e parafimose ou quando a glande masculina não pode ser exposta. Em alternativa à circuncisão, existem tratamentos conservadores, como aplicação tópica de creme corticoesteróide com resultados satisfactórios e, quando este falha, existe ainda a prepucioplastia, uma cirurgia que corrige o prepúcio sem o remover.

     A circuncisão pode, no entanto, estar associado a complicações graves e mutilantes. A circuncisão não deve ser encarada de forma leviana, nem praticada por cirurgiões, ou pessoal não médico, inexperientes. As suas complicações podem levar a alteração significativa da qualidade de vida do doente, com impacto, por vezes, devastador na esfera psicológica, social, sexual e familiar. As complicações mais frequentes da circuncisão são: estenose do meato urinário externo (23%); fístula uretrocutânea (10%); amputação parcial da glande (8%); e déficit de pele peniana por remoção excessiva, cuja incidência não é clara. As lesões traumáticas com avulsão e desluvamento peniano, ou remoção excessiva de pele peniana, constituem urgências médico-cirúrgicas. O seu tratamento implica, na maioria dos casos, um enxerto cutâneo para substituir a pele perdida com o traumatismo. Estes enxertos de pele são colhidos e preparados de forma a tentar preserver a função eréctil e a sensibilidade erógena. O risco de complicações, em geral, é menor em recém-nascidos, mas aumenta de 10 a 20 vezes, quando praticada após 1 ano de idade. Contudo, se considerar uma circuncisão para o seu filho, ou para si mesmo como adulto, precisa de saber que este procedimento é globalmente seguro e com uma baixa taxa de complicações, desde que realizada em condições de assepsia e por profissionais treinados e competentes.